Todo o mal de que este mundo está cheio,
Toda agressão e violência no mundo e todo medo (de inimigos, forças malignas, cobras venenosas e tudo mais) que há, junto com todos os sofrimentos do nascimento, doença, envelhecimento e morte, tanto agora quanto em vidas futuras, tudo deriva do auto-apego, do apego ao nosso não-existente "eu".
Todo medo e sofrimento que há,
O apego ao "eu" é a causa!
O que devo fazer com esse grande demônio?
(O Caminho do Bodisatva cap. 8, v. 134
Shantideva, Índia, séc. VII)
O que, Shantideva pergunta, devemos fazer com esse grande demônio, esse apego ao ego, que nos impede de escapar do grande oceano de sofrimento dos três reinos do samsara e que vai nos destruir agora e no futuro?
Os três, assim chamados, rudras -- que são as raízes da existência samsárica -- são os três tipos de apego ao ego, associados com pensamento, palavra e ação. O apego ao ego é o todo poderoso demônio dos três reinos; é a fonte de todos os espíritos malignos e influências fatais.(v. 135)
Não podemos evitar adversidades e sofrimentos se não nos livrarmos completamente do apego ao ego, de nosso apego ao "eu". Se não ficarmos longe do fogo, não escaparemos de nos queimar. Como é dito:
Se este "eu" não for completamente abandonado,
Então a tristeza não pode ser evitada.
Se as pessoas não ficarem longe do fogo,
Não têm como escapar de se queimarem.
Com um "eu", conhecemos o "outro".
Com "eu" e "outro", apego e aversão se manifestam.
E é partir desses dois, tão intimamente ligados,
Que todo mal, todo pecado surge.(v. 136)
Já que o apego ao ego então é a raiz de todo mal nesta e em vidas futuras, o que se segue é que, para livrarmos a nós e todos os demais da dor e do sofrimento, devemos nos doar aos outros. Devemos cuidar deles do mesmo modo como cuidamos de nós. Todo esforço deve ser colocado nesse treinamento.
Para libertar a mim do malefício
E aos outros de seus sofrimentos,
Que eu possa me doar a eles,
Amando-os como agora amo a mim mesmo.
Kunzang Pelden (Tibete, 1872-1943)
"The Nectar of Manjushri's Speech"
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